Foram quatro Copas do Mundo seguidas transmitindo fracassos.

Seu grande parceiro cansou. Depois de 25 anos, Arnaldo Cezar Coelho vai se aposentar. Termina seu ciclo como comentarista de árbitros no fim do ano.

Assim como as narrações se transformaram mais em comentários.

Truque inteligente para se poupar.

Aos 68 anos, completados hoje, 21 de julho, Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno vive um impasse. Contratado pela Globo em 1981, passou um ano, em 1992, na lucrativa e fracassada aventura no futebol da rede paranaense rede OM (atual CNT). Voltou em 1993. São 36 anos como principal narrador.

Desde que trabalhava em uma fábrica de materiais plásticos, em 1973, ele sonhava em ser comentarista esportivo, não narrador. A voz grave, a entonação emocionante, o tempo de respiração, foram desenvolvidos com a ajuda da mãe, Mildred dos Santos, atriz importante da transição do interesse da população do rádio para a tevê, na década de 50.

O fôlego não é mais o mesmo. Basta comparar a narração de um gol, com trinta, vinte, dez anos atrás.

Galvão Bueno é muito inteligente.

Sabe que tem a imagem a preservar.

Por isso, pensava em comentar, se tornar um apresentador especial nas principais transmissões de futebol, de Fórmula 1 ou dos principais esportes na Olímpiada de Tóquio, em 2020. Ou ter um programa de entrevistas com os principais esportistas do Brasil e do mundo. Adaptação para a tevê aberta do que já faz no Sportv, com o Bem, Amigos.

Seu contrato termina em julho de 2022, quando completou 72 anos.

De acordo com a colunista Keyla Gimenez, ele tem mais de cinco milhões de motivos para seguir. Seu salário mensal alcançaria, de acordo com a muito bem informada colunista, nos R$ 5 milhões a cada 30 dias.

Só que, seguindo nas transmissões, Galvão deverá ter um substancial aumento. Diante da crise financeira que domina o Brasil, a emissora vai acabar cedendo a ofertas milionárias da publicidade. Pedro Bial já coloca sua voz em propagandas de um banco. Há um acordo de divisão de verba entre o apresentador e a Globo.

A possibilidade de maior lucro mensal será apresentada a Galvão. Ele poderá emprestar a narração a uma marca multinacional esportiva, a um carro ou a uma rede de fast food, por exemplo.

Executivos globais administram há décadas a corrida, por enquanto inútil, na busca do substituto de Galvão Bueno. Luís Roberto está atualmente na frente de Cléber Machado. Por isso narrou a semifinal da Copa entre Inglaterra e Bélgica. Os bordões e a emoção que trouxe do rádio cativaram o público.

Villani é jovem demais. E Luís Robert

Só que todos juntos não alcançam o carisma de Galvão. Ele segue disparado a voz e a imagem do futebol da emissora. A Globo criou um monstro que tem medo de se livrar.

Como o narrador ficou com os melhores eventos nas últimas décadas, tudo o que ele transmite traz uma aura de especial. A conclusão é do jornalistas e sociólogo Ali Kamel, diretor geral de Jornalismo e Esportes da Globo.

Kamel não quer a aposentadoria de Galvão. O deseja, se conseguir manter o padrão de sua voz, até 2022. Estar no Catar no cargo que o consagrou.

Nestes quatro anos, amadurecerá Villani e estimulará o eterno duelo entre Luís Roberto e Cléber Machado. Não há o que fazer.

A emissora segue refém da figura de Galvão Bueno.

A Globo pode até fazer alguns testes o colocando como comentarista. Só que há a certeza que ele não deixará espaço para Casagrande, Júnior, Caio e Roger, ex-jogadores. Nenhum narrador teria autoridade para cortar uma explanação de Galvão, seria problemático. Ele comanda as transmissões há 36 anos.

Galvão segue narrando, preservado aos grandes eventos. E a emissora busca em quatro anos um substituto.

Com direito a mais dinheiro ao narrador, com as propagandas.

Galvão seguirá com os jogos do Brasil até os 72 anos.

É a melhor saída.

Para alegria dos aliados.

E dos críticos.

Esse é o presente e aniversário de Galvão Bueno ( R7)

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